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quarta-feira, 16 de julho de 2008

Maria Angelina Soares

Falecida em 1985, foi uma escritora anarquista feminista nascida no Brasil durante o século XX.

Viveu em Santos de 1910 até 1914 com sua familia, lá conheceu o anarquismo, em parte por influência de seu irmão Florentino de Carvalho (Primitivo Raimundo Soares). Foi bordadora de profissão.

Em 1914 voltou a São Paulo indo vivir na rua Bresser, no bairro do Brás, participando ativamente das organizações anarquistas. Primeiro ajudando seu irmão a produzir e distribuir o periódico Germinal-La Barricata publicado em português e em italiano, despois como professora nas escolas modernas à época localizadas uma na avenida Celso Garcia e outra na rua do Oriente.

Seu primeiro artigo para imprensa anarquista intitulava-se "A Guerra" e foi publicado no periódico A Lanterna editorado por Edgard Leuenroth. Depois colaborou com o jornal A Voz da União, produzido por Souza Passos, para o periódico A Voz dos Garçons editorado por Nicolau Parada, mais tarde morto no campo de concentração do Oiapoque. Escreveu também para o A Plebe, para a revista Phrometeu, editada por seu sobrinho Arsênio Palacio, e para O Libertário, publicada por Pedro Catalo na década de 1960.


Em São Paulo, Angelina ajudou a fundar e administrar por algum tempo o Centro Feminino de Educação, se antecipando no tempo e nas idéias mais de meio século às feministas dos nossos dias.


Em 1923 a familia Soares viajou ao Rio de Janeiro estabelecendo sua residência na rua Maria José, no bairro da Penha. No Rio, Angelina e suas irmãs Matilde, Antônia e Pilar formaram o Grupo Renovação e Música. Angelina Soares morreu no Rio de Janeiro em 1985.

Maria Lacerda de Moura

Maria Lacerda de Moura, nascida em Minas Gerais a 16 de maio de 1887, desde jovem se interessou pelo pensamento social e pelas idéias anticlericais. Formou-se na Escola Normal de Barbacena, em 1904, começando logo a lecionar nessa mesma escola. Inicia então um trabalho junto às mulheres da região, incentivando um mutirão de construção de casas populares para a população carente da cidade.

Participou da fundação da Liga Contra o Analfabetismo. Como educadora, adotou a pedagogia libertária de Francisco Ferrer Guardiã. Após se mudar para São Paulo, começou a dar aulas particulares e a colaborar na imprensa operária e anarquista brasileira e internacional. No jornal A Plebe (SP) escreveu principalmente sobre pedagogia e educação. Seus artigos foram também publicados por jornais independentes e progressistas, como O Combate, de São Paulo e O Ceará (1928), de Fortaleza, de onde se extraiu o texto Feminismo? Caridade?, bem como em diferentes jornais operários e anarquistas de todo o Brasil.

Em Fevereiro de 1923, lançou a revista Renascença, publicação cultural divulgada no movimento anarquista e entre setores progressistas e livre-pensadores. A importância desta militante pode ser avaliada, entre outros, pelo fato de que, em 1928, jovens estudantes e trabalhadores paulistas terem invadido o jornal pró-fascista italiano Il Piccolo, como resposta a um artigo que caluniava violentamente a pensadora libertária. Na mesma época, Rachel de Queiroz 20 polemizou acaloradamente, nas páginas d’ O Ceará, com um jornalista cearense que atacou Maria Lacerda.

Ativa conferencista, tratava de temas como educação, direitos da mulher, amor livre, combate ao fascismo e antimilitarismo, tornando-se conhecida não só no Brasil, mas também no Uruguai e Argentina, onde esteve convidada por grupos anarquistas e sindicatos locais. Entre 1928 e 1937, a ativista libertária viveu numa comunidade em Guararema (SP), no período mais intenso da sua atividade intelectual, tendo descrito esse período como uma época em que esteve "livre de escolas, livre de igrejas, livre de dogmas, livre de academias, livre de muletas, livre de prejuízos governamentais, religiosos e sociais".

Maria Lacerda de Moura pode ser considerada uma das pioneiras do feminismo no Brasil e uma das poucas ativistas que se envolveu diretamente com o movimento operário e sindical. Entre os seus numerosos livros destacam-se: Em torno da educação (1918); A mulher moderna e o seu papel na sociedade atual (1923); Amai e não vos multipliqueis (1932); Han Ryner e o amor plural (1928) e Fascismo: filho dileto da Igreja e do Capital (s/d).

É certo que ele não representa todo o pensamento da anarquista brasileira. Como todo militante, com larga atividade literária, passou por diferentes fases e sua reflexão abordou temas tão diversos comoa guerra, o malthusianismo e a pedagogia libertária.

Polêmica na literatura e na militância, Maria Lacerda de Moura passou pela Maçonaria e pela Fraternidade Rosa Cruz, com quem rompeu denunciando-a como agente do nazismo.

Atravessou algumas fases de maior envolvimento social e outras de isolamento, umas de otimismo e outras de declarado pessimismo. E, se no fim da vida, permanecia num certo pessimismo, isso deve-se certamente às divergências e rupturas que, no fim da década de 20, confrontavam anarquistas e comunistas ao mesmo tempo em que acontecia a ameaçadora ascensão do fascismo. No entanto, quando após a fundação do Partido Comunista dirigentes desse partido, fizeram várias tentativas para aliciá-la, a pensadora libertária recusou-se a abandonar sua visão de mundo, mantendo até ao fim da vida o seu anarquismo individualista 21 .
Maria Lacerda de Moura é praticamente desconhecida no Brasil, onde um certo feminismo parece querer ocultar aquela que seria uma das primeiras e mais importantes ativistas das causas das mulheres, mas que nunca reconheceu no Estado, no Direito e no acesso profissional burguês a sua causa. Na verdade, isso acontece porque, antes de tudo, via generosamente a luta feminista como parte integrante do combate social compartilhado igualmente por homens e mulheres engajados na luta pela eliminação de toda exploração, injustiça e preconceito. Talvez por isso mesmo, ela seja ainda um símbolo incômodo para toda a sociedade conservadora, até para o atual conservadorismo feminista, mero arrivismo social de classe média em busca do seu lugar ao sol no Estado e no capitalismo, tal comoo
foi para as sufragistas da classe média e das elites do seu tempo.A militante anarquista morreu em 1945, no Rio de Janeiro.

extraído de: Maria Lacerda de Moura - Uma anarquista individualista brasileira na Revista
Utopia 9